Rede de esperança
O Brasil vai integrar o maior banco de doadores de medula óssea do mundo, o americano National Marrow Donor Program. Portaria do Ministério da Saúde publicada ontem oficializou a parceria, que possibilita a pacientes estrangeiros que sofrem de doenças como leucemia a buscarem no Brasil um doador compatível de células-tronco hematopoéticas (encontradas na medula óssea, no sangue de cordão umbilical e no sangue periférico). O contrário — a busca de brasileiros por materiais genéticos de estrangeiros — já ocorria, mas não de forma sistemática. E quando o paciente daqui tinha sucesso na procura, o país precisava desembolsar cerca de R$ 50 mil, usados no custeio de exames lá fora, logística e transporte da medula.
A quantia a ser paga continua, mas com a entrada do Brasil na rede, vale a lei da reciprocidade. Ou seja, estrangeiros que obtiverem materiais genéticos no banco nacional também terão de desembolsar o mesmo valor. “Ficaremos no sistema de crédito e débito, que é muito positivo, pois o governo não tem uma verba suficiente para bancar toda a demanda”, avalia Merula Steagall, presidente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), organização que iniciou as buscas, antes da entrada do Brasil na rede, nos registros americano e alemão. A dirigente da entidade espera, entretanto, que a inclusão no cadastro mundial incentive o país a buscar os padrões de excelência dos americanos.
Demora
“Quando enviamos um pedido ao banco de doadores dos Estados Unidos ou da Alemanha, em duas horas já temos uma resposta preliminar, dizendo se houve ou não a identificação de possíveis doadores e o que será feito em seguida. No caso do Brasil, esse retorno demora ao menos um mês”, diz Merula. Até para quem consegue um doador compatível, a dificuldade existe. Hoje há, segundo o Ministério da Saúde, 202 pessoas com doadores de células-tronco hematopoéticas identificados aguardando a realização do transplante. Há 2.062 na lista à procura de alguém com características suficientemente parecidas a ponto de poderem doar. Em 2008, foram realizados cerca de 1,7 mil transplantes de medula óssea no país.
Enquanto o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea tem cerca de 800 mil cadastrados, o National Marrow Donor Program conta com 7 milhões. A parceria internacional, alerta Regina Fontes, gerente da Abrale, não deve enfraquecer o registro brasileiro. “Ainda existe um mito de que doar arranca pedaço, machuca. Temos que acabar com isso para fortalecer o nosso banco e aumentar a esperança de quem precisa”, afirma.
INFORMAÇÕES Para saber mais sobre doação de medula óssea em Brasília, ligue para o Hospital de Base no número 3325-5055
O número
2.062 brasileiros procuram um possível doador de células-tronco hematopoéticas
202 pessoas já identificaram doadores e aguardam a realização do transplante
1,7mil transplantes de medula óssea foram realizados no Brasil em 2008
Fonte: Correio Braziliense
Clique aqui e veja a entrevista da presidente da ABRALE, Merula Steagall, para o Terra TV.